Casos de hepatite cresceram em até 5.375%
Governo quer aumentar vacinação contra tipo B em 163%. Imunização será ampliada a jovens de até 24 anos em 201
O Globo Catarina Alencastro
O número de casos de todos os tipos de hepatite cresceu bastante em todas as regiões brasileiras, entre 1999 e 2009. Os registros de hepatite A, doença contraída a partir da ingestão de alimentos e água contaminada, subiram mais de 1.000% neste período.
No caso da hepatite B, transmitida principalmente por relações sexuais, o aumento foi de quase 3.000%. E nos números da hepatite C, a que mais mata no Brasil - e é transmitida em maior medida por transfusão de sangue -, o salto foi de 5.375%.
No período de dez anos, 20.073 pessoas morreram de hepatite no Brasil, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde.
Centro-Oeste registrou maior aumento de hepatites A e B A hepatite A acomete, ao todo, 179.522 brasileiros - a maioria (88.533) pessoas com menos de 13 anos de idade. A região que mais registrou aumento nos casos de hepatite A foi o Centro-Oeste, que passou de 58 casos para 1.399, um incremento de 2.312%.
Já a hepatite B foi detectada até hoje em 96.044 pacientes.
Novamente o Centro-Oeste se destacou no incremento de casos, passando de apenas cinco em 1999 para 1.709 no ano passado (34.000% a mais).
Os casos de hepatite C - 60.908 em todo o Brasil - cresceram mais no Nordeste, que registrou apenas um doente em 1999 e 639 no ano passado (63.800% a mais).
Nem sempre o problema é diagnosticado, já que o vírus pode levar décadas para se manifestar.
Sendo assim, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que um número bem maior de brasileiros esteja contaminado sem saber. Para a hepatite B, a estimativa da OMS é que pelo menos dois milhões a tenham, e para hepatite C a estimativa é que três milhões sejam portadores no país.
Uma das causas do aumento dos casos pode estar relacionada à diminuição do uso de preservativos, já que as relações sexuais desprotegidas são importantes fontes de contágio.
"Houve queda no uso de preservativos em todas as faixas etárias”, reconheceu Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do ministério.
Hepatite B atinge os mais jovens O perfil dos portadores das diferentes hepatites varia. Como a B está ligada à sexualidade, os jovens adultos são o públicoalvo. Já a HEPATITE C atinge grupos mais velhos, em especial aqueles que receberam doações de sangue até a década de 1980. Mariângela observou que esta última é uma doença silenciosa e contra a qual não há vacina.
A estratégia anunciada ontem, Dia Mundial do Combate a Hepatites Virais, pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, é aumentar a oferta de vacinas contra a hepatite B em 163% no ano que vem. A imunização, hoje oferecida somente aos menores de 19 anos, será ampliada para jovens de até 24 anos em 2011; em 2012, para os de até 29 anos. Em relação à hepatitE C, a meta do governo é investir na prevenção. No ano que vem, será realizada uma campanha nacional de combate à doença, e os postos de atendimentos aos pacientes passarão a distribuir preservativos.
“Os números apontam para a necessidade de que especifiquemos ações de combate a essas doenças. E o governo vem investindo no combate às hepatites virais. No terceiro trimestre de 2010, 8.000 pacientes estarão em tratamento para hepatite B, e 10.500 para hepatite C”, disse Temporão.
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