Beneficiárias do Bolsa Família são foco de campanha de combate ao HIV do governo federal
Ação ocorre diante do crescimento da incidência de AIDS entre as mulheres nos últimos anos
Agência de Notícias da AIDS Fábio Serrato
As mulheres beneficiadas pelo Programa Bolsa Família são o foco de uma campanha intersetorial de combate ao HIV lançada nesta quarta-feira, 31 de março, pelo governo federal. A ação, que envolve os ministérios da Saúde, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, ocorre diante do crescimento da incidência de AIDS entre as mulheres nos últimos anos e integra o Plano Nacional de Enfrentamento de Feminização da Epidemia de AIDS e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis.
Intitulada "CAMISINHA, um direito seu", a iniciativa prevê a realização de campanhas para incentivar a CAMISINHA , o diálogo sobre prevenção com o parceiro e a realização da testagem anti-HIV entre as usuárias dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e dos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) das capitais do país.
Para isso, foram criados spots de rádios, folders, cartazes, banners e outros materiais informativos. Segundo a chefe da Assessoria de Comunicação do DEPARTAMENTO DE DST, AIDS e Hepatites Virais, Myllene Müler, a adesão dos Centros à campanha é opcional.
A ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, alertou para a importância da campanha devido ao fato de a desigualdade de poder nas relações de gênero aumentar a vulnerabilidade da mulher frente ao HIV.
"O Bolsa Família não é um programa apenas de transferência de renda, mas de empoderamento da mulher, já que é ela quem define como o dinheiro será gasto. A partir de agora, as beneficiárias também poderão passar a ter mais consciência para negociar o uso da CAMISINHA, que não serve apenas para prevenir doenças, mas também a gravidez indesejada", disse.
De acordo com a representante da Secretaria Executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Célia Vieira, os profissionais do Cras e do Creas serão capacitados para atender as mulheres de baixa renda do Programa.
Dados oficiais indicam que, das cerca de 13,5 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família, 95% têm as mulheres como representantes.
Feminização da epidemia
Segundo o Boletim Epidemiológico de 2009, em 1986, a razão entre os sexos era de 15 casos de AIDS em homens para cada caso em mulheres. A partir de 2002, a razão estabilizou-se em 15 casos em homens para cada 10 em mulheres.
Na faixa etária de 13 a 19 anos, o número de casos de AIDS é maior entre as jovens do que entre os rapazes. A inversão apresenta-se desde 1998, com oito casos em meninos para cada 10 casos em meninas.
Entre 2000 e junho de 2009, foram registrados no Brasil 3.713 casos de AIDS em meninas de 13 a 19 anos (60% do total), contra 2.448 meninos.
Na faixa etária seguinte (20 a 24 anos) há 13.083 (50%) casos entre elas e 13.252 entre eles. No grupo com 25 anos ou mais, há uma clara inversão - 60% do total (280.557) de casos ocorrem entre os homens.
A Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira, lançada pelo Ministério da Saúde em 2009, também ajuda a explicar a vulnerabilidade das jovens à infecção pelo HIV.
De acordo com o estudo, 64,8% das entrevistadas entre 15 e 24 anos eram sexualmente ativas (haviam tido relações sexuais nos 12 meses anteriores à pesquisa). Dessas apenas 33,6% usaram PRESERVATIVOS em todas as relações casuais.
Entre os homens, 69,7% dos entrevistados eram sexualmente ativos. Mas eles usam mais a CAMISINHA: 57,4% afirmaram ter usado em todas as relações com parceiros ou parceiras casuais.
Em 2007, a taxa de incidência de AIDS em mulheres acima de 50 anos praticamente dobrou em relação da 1997, passando de 5,2 casos por 100 mil habitantes para 9,9 casos. Nos homens, passou de 12 casos por 100 mil habitantes para 18, no mesmo período.
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No início de março, a Agência de Notícias da AIDS publicou uma série de reportagens sobre o Plano Nacional de Enfrentamento de Feminização da Epidemia de AIDS e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis por conta do Dia Internacional da Mulher. Confira a seguir.
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