Cruz Vermelha fornece kits pós-estupro a mulheres no Congo
O kit é composto de profiláticos contra HIV, tratamento contra doenças sexualmente transmissíveis, testes de HIV e gravidez, pílula do dia seguinte, vacina contra tétano e hepatite B
Terra Brasil Da Redação
No Dia Internacional da Mulher, a Cruz Vermelha aponta a violência sexual como arma de guerra como um dos graves problemas sociais enfrentados pelo continente africano. Por isso, na República Democrática do Congo (RDC), a entidade distribui "kits pós-estupro" e mantém centros de aconselhamento para as vítimas.
O kit é composto de profiláticos contra HIV, para reduzir o risco de contrair o vírus se usado dentro de 72 horas; tratamento contra doenças sexualmente transmissíveis; testes de HIV e gravidez; pílula do dia seguinte; vacina contra tétano e hepatite B.
No entanto, além dos problemas de saúde, outra grave conseqüência da violência sexual são as seqüelas psicológicas. Para dar suporte para essas mulheres na RDC, a Cruz Vermelha apóia 34 centros de aconselhamento - locais onde as vítimas encontram orientação de diversos profissionais.
"As necessidades gerais das vítimas de violência sexual podem ser médicas, psicológicas, sociais ou econômicas. Com freqência, são as quatro ao mesmo tempo. Nossa resposta deve, portanto, ser multifacetada", disse Mirella Papinutto, chefe dos Programas Psicossociais da Cruz Vermelha na RDC.
Os crimes de violência sexual geram, ainda, outro efeito devastador na vida das vítimas. Algumas delas sofrem rejeição por parte da família e são impedidas de voltar para casa. Em alguns casos, segundo Papinutto, as famílias acreditam que as mulheres se tornam amaldiçoadas quando são estupradas.
"É fundamental envolver as comunidades na luta contra a estigmatização das vítimas de violência sexual e os preconceitos que estão por debaixo de tal violência", diz Papinutto. "Isso leva tempo: convencer as pessoas a reconhecerem a inocência de uma vítima em geral implica mudar as mentalidades e quebrar tabus".
A Cruz Vermelha também atua no treinamento da equipes médicas, presta socorro financeiro emergencial para as vítimas e está em constante contato com os governos locais para fortalecer a prevenção a este tipo de crime.
"Os riscos de a mulher ser vítima de violência sexual aumentam, especialmente, se estiver sozinha, se for muito jovem ou se for a chefe do seu lar", afirma Nadine Puechguirbal, conselheira da Cruz Vermelha para Mulheres e a Guerra. "O estupro pode ter graves conseqüências na saúde física. Em casos assim, é extremamente importante que a vítima de abuso sexual receba atendimento médico o quanto antes para tratar suas lesões e para prevenir infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV".
|