Erros e acertos da mídia na cobertura da aids são discutidos na Universidade Anhembi Morumbi
O projeto tem o apoio da Merck Sharpe & Dohme, da Bristol Myers-Squibb e da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo
Agência de Notícias da AIDS Da Redação
Mais de 80 alunos do curso de Jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi participarem na noite dessa quinta-feira, em São Paulo, do debate "Comunicação, Saúde Pública, AIDS e Cidadania", idealizado pela Agência de Notícias da AIDS.
Neste que foi o terceiro debate do projeto, os palestrantes convidados foram a coordenadora do Programa Municipal de DST/AIDS de São Paulo, Maria Cristina Abbate; o ativista do Grupo de Incentivo à Vida (GIV) Hugo Hagstrom; e a jornalista e produtora da Rede Globo de Televisão Cristina Angelini.
A editora executiva da Agência, Roseli Tardelli, mediadora do debate, fez uma breve apresentação sobre a abordagem do tema AIDS pela mídia nesses vinte e nove anos de epidemia. Ela citou alguns equívocos, como rotular a doença de "câncer gay" e também a utilização de conceitos errados como os "grupos de risco".
"Nós estamos aqui fazendo este trabalho para que vocês, futuros jornalistas, não cometam os equívocos que gerações anteriores cometeram", disse a jornalista.
Angelini lembrou que no início da epidemia "todo mundo cobria o assunto", mas os jornalistas não sabiam como lidar com o tema. "Era assustador", disse. "A AIDS fez uma coisa importante no Brasil, denunciou a precariedade dos hospitais públicos. A classe média passou a frequentar esses hospitais. Quando começaram as denúncias, a imprensa passou a cobrir e teve um papel importante para que todos tivessem acesso ao tratamento", acrescentou.
A Coordenadora do Programa Municipal de DST/AIDS ressaltou que as notícias sobre HIV/AIDS e saúde pública têm cerca de 200 a 250 inserções em mídia por ano e que o governo é considerado por muitos como uma fonte tendenciosa para fins políticos.
"Isso não é verdade", comentou. "Temos uma equipe de pessoas qualificadas para passar a informação correta. Os veículos nem sempre abrem espaço para dizer que o governo tem práticas boas, que realiza ações eficientes naquela determinada área", explicou.
A gestora ainda falou sobre a criação do Sistema Único da Saúde (SUS), a participação do movimento social na resposta à epidemia e a trajetória da AIDS no estado de São Paulo.
Complementando a discussão, Hugo Hagstrom explicou que usar a palavra "aidético" para se referir ao portador do HIV/AIDS "traz em si não só a patologia, mas uma série de outros estigmas. É inconscientemente tratar de uma questão moral, efetuar um julgamento, questionar qual é a orientação sexual da pessoa, se ela usa droga ou não. É uma palavra associada a pensamentos à margem, a coisas ruins. Sou portador de um vírus, eu não sou o vírus".
O ativista destacou que a AIDS trouxe a possibilidade das pessoas reverem seus conceitos, pensar na diversidade. "Muitas pessoas infectadas morreram de abandono, de falta de solidariedade, não por causa da AIDS. Somos modernos, mas ainda temos preconceitos. Faz parte da nossa criação, são coisas intrínsecas. A gente faz isso diariamente", concluiu.
As vacinas contra o HIV, a vulnerabilidade das mulheres, as outras doenças sexualmente transmissíveis, a EDUCAÇÃO SEXUAL nas escolas, os riscos de infecção e o reforço do estigma da doença pelos meios de comunicação foram alguns dos temas levantados pelos estudantes e debatidos com os palestrantes.
O projeto tem o apoio da Merck Sharpe & Dohme, da Bristol Myers-Squibb e da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
Além da Anhembi Morumbi, já receberam o debate as Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e Cásper Líbero.