| 30/03/09, às 09h18m (GMT -03;00) |
Cientistas filmam o HIV ao contaminar as células
Gene de água-viva faz vírus da Aids brilhar e propicia imagens nítidas da tomada das células de defesa humanas
Correio Braziliense Da Redação
Vírus HIV (verde) infecta célula (alto): estudo de Benjamin Chen (acima) pode ajudar na criação de vacinas
Pesquisadores norte-americanos conseguiram registrar o momento exato em que o vírus HIV, causador da AIDS, é transmitido de células contaminadas para células sadias. O estudo seguiu em direção contrária à premissa adotada pela maioria dos cientistas. Enquanto se estuda o contágio de células saudáveis pelos vírus que estão livres no plasma sanguíneo, os especialistas analisaram - e comprovaram - que o contágio direto entre as membranas celulares é milhares de vezes mais eficiente.
Os testes foram realizados in vitro e as imagens obtidas mostraram que o vírus da AIDS se espalha pelo corpo humano, passando de um linfócito T (célula de defesa) para outro, por meio de um mecanismo conhecido como sinapse viral. Benjamin Chen, especialista da Mount Sinai School of Medicine e autor do estudo, explicou ao Correio como funciona a infecção. "Primeiro, as células infectadas se ligam a uma célula não infectada. Depois, as proteínas virais na célula infectada migram por meio do espaço de contato entre as células para formar uma estrutura circular - o botão sináptico. Desse botão, os vírus são liberados e internalizados na célula vizinha, que fica infectada", detalhou, por e-mail. "A célula infectada entrega muitos vírus para a célula saudável de uma vez só. O vírus parece usar o comportamento celular para ajudar a se espalhar às células saudáveis vizinhas", acrescentou.
Para obter as imagens, os pesquisadores criaram "uma forma de HIV que carrega todos os genes virais normais, com uma proteína verde fluorescente adicional (extraída da água-viva) inserida em sua estrutura proteica principal", afirmou. A substância brilha quando exposta ao laser, o que possibilitou aos cientistas visualizarem o avanço da infecção na cultura de células analisada. No trabalho, publicado na revista científica Science, os pesquisadores disseram que a descoberta dos processos bioquímicos na formação das sinapses virais é determinante para que, no futuro, vacinas e remédios contra a AIDS possam ser desenvolvidos.
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